Toda foto conta uma história: seja interessante, curiosa ou idiota mesmo.

15/04/2004

A EXTRAVAGÂNCIA DA BENETTON

No final do ano de 1985, uma grife italiana de roupas decidiu entrar para valer na Fórmula 1. Depois de alguns anos patrocinando e emprestando suas cores a equipes como Alfa Romeo e Tyrrell, a Benetton decidiu comprar a Toleman e formar seu próprio time na categoria. A intenção de Lucciano Benetton era conseguir publicidade mundial e assim alavancar a sua marca mundo afora. E para fazer boa publicidade, nada melhor que chamar a atenção.

Foi seguindo esta filosofia que a Benetton marcou época na F1 dos anos 80 com carros diferentes, multicoloridos e chamativos. E ainda por cima, competitivos. A estratégia deu muito certo e o time se firmou entre os maiores da F1, conquistando 27 vitórias e obtendo dois títulos mundiais com Michael Schumacher nos anos 90.

Mas a maior extravagância da Benetton na F1 não chegou a ir para as pistas em Grandes Prêmios. Aconteceu durante os testes da pré-temporada de 1986, ano em que a equipe estrearia na categoria. Não bastasse a pintura em verde e branco, cheia de pinceladas de todas as cores, a equipe decidiu colocar na pista carros com pneus coloridos. Isto mesmo: pneus coloridos! A Pirelli desenvolveu compostos especiais e aplicou cores nas áreas externa e interna dos pneus, preservando o preto apenas nas bandas de rodagem, como pode-se ver na imagem acima. A experiência não deu muito certo e nenhum carro com pneus coloridos competiu oficialmente. Ficou para a história apenas o registro de mais uma tentativa de impacto visual da Benetton.




14/04/2004

O MAIS ATRAPALHADO DOS JAPONESES

Campeões e adversários temíveis nas corridas de moto, chacota mundial nas pistas da Fórmula 1. Apesar de jocosa, é uma coerente constatação sobre a fama dos pilotos japoneses. E Takachiho Inoue, ou simplesmente Taki Inoue, ajudou a construir esta imagem, junto com Satoru Nakajima, Ukyo Katayama, Tora Takagi e outros tantos nipônicos que passaram pela F1 nos últimos anos. Inoue foi mais um daqueles pilotos obscuros que nada conseguiram na carreira além de provocar boas gargalhadas nos torcedores.

A cena ao lado, um atropelamento por um carro de segurança, foi digna de comédia pastelão e aconteceu no Grande Prêmio da Hungria de 1995. Inoue, então piloto da Arrows, teve seu motor Hart quebrado perto da reta dos boxes. Preocupado com seu fumegante carro, que apresentava um princípio de incêndio, resolveu ajudar os fiscais. Tacou a mão em um extintor e correu afoito em direção ao Arrows. Distraído, não viu um carro de segurança que se aproximava pela grama e foi jogado para cima do capô, num insólito atropelamento. Saiu zonzo, caminhando, até que sentiu fortes dores na perna esquerda e caiu no chão. Saiu de ambulância da pista, com suspeita de fratura. Nada grave aconteceu e Inoue já estava de volta duas semanas depois, no GP da Bélgica.

Antes da presepada da Hungria, Inoue já tinha vivido outra situação quase inacreditável nos treinos para o GP de Mônaco daquele mesmo ano. O japonês teve um pedal de freio quebrado e seu carro estava sendo rebocado de volta aos boxes, com ele dentro, quando inesperadamente foi atingido por trás pelo Safety Car. Mais inesperada ainda foi a capotagem de seu carro, que foi ainda arrastado de rodas para o ar por cerca de 100 metros, até que o motorista do reboque se desse conta do que acontecia. Inoue não se machucou por muita sorte, pois embora estivesse de capacete - que perdeu uma lasca - não estava com o cinto de segurança afivelado.

A carreira de Inoue na F1 durou apenas 18 provas, entre 1994 e 1995. Uma pela Simtek, corrida de estréia em sua terra natal, e mais 17 pela Arrows. Seu melhor resultado foi um 8º lugar na Itália em 95, um desempenho nada memorável na F1. Não fossem as suas trapalhadas, dificilmente seria lembrado.




13/04/2004

A BOCA GRANDE DE ARNOUX E A DESPEDIDA DA ALFA ROMEO

A foto ao lado, rara, mostra o piloto italiano Piercarlo Ghinzani conduzindo um Ligier Alfa Romeo nos testes de inverno para a temporada 1987 da F1. "Ligier Alfa Romeo???" você deve estar se perguntando. Sim, Ligier com motores Alfa Romeo.


Depois da boa temporada de 1986 com motores Renault, quando esteve diversas vezes na zona de pontos e conseguiu inclusive um segundo lugar no GP dos EUA, a Ligier, tradicional equipe francesa dona de oito vitórias no final dos anos 70/começo dos 80, precisava de um bom fornecedor de motores para o ano seguinte, visto que a Renault estava deixando a F1 no final da temporada. A saída foi um acordo com a Alfa Romeo, que viveu um ano sabático em 1986 preparando um motor turbo V4 para voltar com força à categoria no ano seguinte.

Chegado o inverno europeu, a Ligier colocou na pista para testes um novo carro, o JS29, equipado com motores Alfa Romeo. Deram voltas com ele por vários dias os pilotos Piercarlo Ghinzani (foto) e René Arnoux. Os tempos obtidos não foram grande coisa e a parceria ficou estremecida, até que Arnoux resolveu abrir a boca. O estourado francês descascou a Alfa Romeo para os jornais, questionando as qualidades do novo motor.

Contextualizando historicamente, no mesmo período a Alfa vivia um momento de transição, recém adquirida pela FIAT. As pretensões da compradora eram bastante claras: deixar apenas a Ferrari representando a fábrica na F1. Manter a Alfa custaria muito caro e o retorno não seria interessante. O contrato da Alfa Romeo com a equipe francesa, ainda, possuía ainda uma cláusula que permitia à Alfa deixar a equipe caso a Ligier provocasse, de alguma maneira, danos à imagem da fábrica italiana.

Somados todos estes fatores, o resultado é previsível. As palavras de Arnoux foram suficientes para que o contrato fosse encerrado e a Ligier se visse à pé para a temporada 87. Foi o último momento da Alfa Romeo na Fórmula 1, fábrica campeã em 1950 e 1951. A Osella ainda utilizou propulsores Alfa mais antigos até 1988, mas não havia mais envolvimento com a fábrica.

E a Ligier? A equipe se viu sem motores para competir em 1987 e precisou correr atrás de um acordo com a Megatron, que preparava antigos turbo da BMW, que também já havia deixado a F1. O tempo necessário para a adaptação dos carros fez com que o time ficasse de fora do GP do Brasil, prova de abertura daquela temporada.

Este episódio marcou o início da espiral de decadência da equipe, que teve desempenhos cadas vez piores até ser vendida e passar pelas mãos de vários donos: Cyril de Rouvre, Tom Walkinshaw e Flavio Briatore, entre outros menos cotados. Por fim, a equipe foi comprada por Alain Prost, que a rebatizou em 1997, para falir cinco temporadas depois.

Houve ainda uma vitória de Panis no GP de Mônaco de 1996, mas que não passou de um espasmo. O fim da Ligier/Prost marcou o encerramento do ciclo dos construtores franceses independentes na F1. A Renault retornou em 2002, mas será que conta? Equipes de fábrica atualmente são transnacionais.



Comentários?  Escreva para: eduardo_manera@hotmail.com.